A CAIXA DE PRESENTE…

Olhei para o passado e encontrei um baú cheio de mofo e empoeirado…
Olhei para o meu hoje e vi um dia frio e nublado…
Olhei para o meu amanhã e eis que um anjo desce do céu e entrega-me uma caixa com um laço colorido como enfeite…
E o que tem dentro?
– Não sei, quando chegar o momento certo eu abro e vejo se gostei ou não desse presente…
Afinal, não dizem que o futuro a Deus pertence?

Lu Lena

 

 

SAUDADE MÓRBIDA…

Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d’espíritos viajantes.

Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.

Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.

Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.

Lu Lena

 

FUGA…

Mergulho dentro de mim mesma e fico submersa…
dentro do meu ego…
deixo o destino decidir e que o Criador me encaminhe
para aquilo que Ele me predestinou…
no momento em que adentrei o
… ventre materno e ali fiquei…
enclausurei e esperei…
abri os olhos ofuscados pelo brilho da luz
nasci!
agora faço o mesmo…
divago meus pensamentos, que são levados pelo vento…
retorno a ser o óvulo fecundado e fico a li a esperar…
a emergir para o novo mundo que me aguarda…
num choro incontido de lágrimas malfadadas
pelas lembranças…
de uma menina mulher que quer voltar a ser criança…
das angústias, medos, temores… dores e pela fragilidade
de caminhar com olhos vendados nesse mundo…
o medo do escuro…
e nessa volta me aninho novamente como um embrião…
pois é assim que me encontro nessa minha regressão
de voltas às minhas origens, cortar as arestas que ficaram
nessa fuga…
e aí que me encontro segura e envolta no cordão…
que me protege desse meu mundo de introspecção…

Lu Lena